“Situado na periferia ocidental de Roma, o Nuovo Corviale engloba um conjunto de estruturas de habitação pública. O edifício principal, conhecido como “Il Serpentone”, estende-se por cerca de um quilómetro de comprimento e foi construído com o objetivo de desenvolver uma instalação residencial autónoma que misturasse “perfeitamente” unidades residenciais com espaços comerciais e serviços. Mas as coisas não correram como planeado: a construção do edifício nunca foi concluída e, atualmente, o Nuovo Corviale é considerado e representado como um local de abandono e decadência.”
Fonte: https://www.terraproject.net/works/the-keepers-of-corviale/
O projeto Calciosociale opera aqui no promover da revitalização social e ambiental do bairro Nuovo Corviale, em Roma, através do desporto coletivo. A organização mantém uma escola de futebol para jovens da comunidade e organiza um torneio (inclusivo), aberto a homens, mulheres e crianças. Este torneio segue regras que priorizam a comunicação, o respeito à diversidade e a construção de uma sociedade mais justa e solidária. O coletivo responsável pelo projeto visual procurou retratar os moradores do bairro de forma não estereotipada, destacando-os como agentes ativos na transformação social, comprometidos com valores universais (ver fotografias da Terra Project).
Com o lema “Só quem se preocupa, vence” (“Vince solo chi custodisce”), o projeto concentra-se nas pessoas e nos espaços do bairro que refletem cuidado e dedicação. A narrativa visual inclui fotografias que mostram os protagonistas da mudança e os detalhes do quotidiano que revelam compromisso comunitário.
O projeto é enriquecido por um vídeo no qual Massimo Vallati, fundador e presidente da Calciosociale, recita os nove princípios que orientam o torneio. Esta iniciativa foi viabilizada pela subvenção “Italia Inclusiva” do Ministério dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação Internacional. A exposição e o livro que documentam o trabalho foram comissariados pela Baringo (Baringo é um laboratório de comunicação social). A proposta valoriza o potencial transformador do desporto e reforça a importância da participação ativa na construção de uma sociedade mais inclusiva e solidária.
Este projeto enferma de uma constante em muitos países, habitação social ou pública não construída na totalidade quando o somatório de habitação, serviços e comércio (totalidade do projeto) resultaria em algo diferente de um “local de abandono e decadência”.
São os moradores e o projeto “Futebol social” que encontraram na prática desportiva o mote para a mudança de perspetivas de vida para muitos jovens. Será um paliativo para a manutenção de projetos sociais de arquitetura incompletos? Seria possível completar o projeto e aferir o resultado no que foi projetado?


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